REDISCO – Revista Eletrônica de Estudos do Discurso e do Corpo, Vol. 3, No 1

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A PRÁTICA ASCÉTICA E O CORPO COM DEFICIÊNCIA: O DISPOSITIVO DA INTIMIDADE NA PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICADOCUMENTAL

Érica Danielle Silva

Resumo


Em continuidade aos estudos que temos desenvolvido sobre a discursivização do corpo com deficiência, o percurso aqui proposto perpassa a prática discursiva cinematográfica contemporânea, cuja combinação entre o visível e o dizível constituem saberes próprios a cada formação histórica, que articulam o aparecimento, a disseminação e o silenciamento de tecnologias políticas do corpo. Dentre as atuais práticas discursivas cinematográficas nacionais, chamou-nos a atenção os documentários mais votados na edição de 2007 do Festival Internacional de Filmes "Assim Vivemos", promovido e patrocinado pelo Ministério da Cultura e pelo Banco do Brasil. A natureza instrumental das produções fílmicas, nesse festival, viabiliza tomar o documentário como um monumento (FOUCAULT, 2007a), que coloca em circulação uma rede aberta de similitudes, cujos elementos teriam lugar e função de simulacro (FOUCAULT, 2008a). Sob tal delineament, nos propusemos a compreender o eixo discursivo que organiza as condições de reconstituição enunciativa documental, que, por sua vez, constituem as condições de possibilidade de objetivação e de subjetivação do
sujeito com deficiência, qualificando alguns efeitos de sentidos como verdadeiros. Filiando-nos aos pressupostos teórico-metodológicos foucaultianos, nos foi possível cingir o dispositivo da intimidade como norteador da prática discursiva documental, cujo efeito de verdade possibilita uma transição da política para a ética do corpo com deficiência. Asseveramos, assim, que a representação do verdadeiro, por meio das produções documentárias, revela que os jogos entre saber-poder deixam de ser coercitivos e passam a se exercer pela prática ascética de si, alternativa às estratégias de subjetivação do poder na contemporaneidade.

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